O que mantém bairros da zona leste de São Paulo alagados há sete dias é a falta de drenagem na região, segundo explica o arquiteto e urbanista Pedro Taddei Neto, professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da Universidade de São Paulo. A Defesa Civil da Prefeitura de São Paulo estima que a situação deve permanecer a mesma por pelo menos mais uma semana. Isso, se não chover. Os moradores encontraram até cobra na região alagada.
Veja imagens das áreas alagadas
Bairros como o Jardim Helena e o Jardim Romano, que integram uma área maior chamada Jardim Pantanal, localizam-se na várzea do rio Tietê e foram ocupados de forma desordenada e irregular, segundo os governos municipal e estadual. As áreas foram atingidas pela cheia do rio, provocada pelas fortes chuvas que ocorreram em São Paulo no início do mês de dezembro. Ao menos 2.700 moradores foram obrigados a deixar suas casas desde o dia 8 deste mês até a noite de segunda-feira (14).Na manhã desta segunda, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou que o processo de cadastramento para remoção das famílias que estão nesta área começará ainda nesta semana. Das 60 mil pessoas afetadas pelas chuvas, de 3.500 até 7.000 serão removidas do local, em um primeiro momento com o bolsa aluguel - dinheiro fornecido para que as famílias aluguem um imóvel - e, depois, para moradias regulares definitivas.A professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Adaílza Sposati, também autora do mapa da exclusão/inclusão de São Paulo, conhece a região do Jardim Pantanal desde que as primeiras famílias ali se instalaram. Ela diz que no decorrer dos anos nenhum melhoramento público foi feito sob a justificativa de se tratar de uma invasão e, portanto, não deviam ter direito a obras de saneamento ou de drenagem para escoamento das águas.
O urbanista Taddei Neto, presidente da Fundação para a Pesquisa Ambiental, ligada à FAU-USP, explica que a área onde estão esses bairros era ocupada pelas águas do rio Tietê. Com o tempo, segundo ele, ocorreram modificações na topografia da região por causa da ocupação desordenada, ocorrida há cerca de 20 anos.
- Criam-se elevados aqui e acolá e, em vez de melhorar o escoamento de água, o que ocorre é que ela [água] acaba encontrando vários obstáculos e simplesmente pára no meio do caminho.
Vez ou outra Taddei Neto leva seus alunos para conhecer uma área próxima, a União da Vila Nova, também integrante do conglomerado do Jardim Pantanal. A situação neste local é diferente. Mesmo sendo vizinha dos alagados Jardim Helena e Jardim Romano, a União da Vila Nova foi alvo, em 1998, de um projeto do governador Mário Covas para revitalização. Um projeto capitaneado pela CDHU (companhia de habitação do Estado) previa canalização de córregos, parques e embelezamentos com direito a pinturas de algumas casas com propostas do arquiteto Ruy Othake. Pelas informações da CDHU fornecidas emSe foi ou não destinada essa verba ninguém sabe. A CDHU, procurada pela reportagem do R7 para dar detalhes sobre o assunto, não informou. Também não foi informado o que já foi feito no Jardim Pantanal e tampouco o motivo pelo qual o Jardim Romano e Jardim Helena não foram incluídos no projeto. Em nota à imprensa, a CDHU disse que a região alagada não pertence à área de intervenção desse projeto, que tem quase um milhão de metros quadrados e limita-se aos bairros Vila Jacuí, União de Vila Nova e Vila Nair.
Taddei Neto afirmou que a Vila Jacuí, União da Vila Nova e Vila Nair estão na mesma situação que o Jardim Helena e Jardim Romano quanto à topografia. A diferença é que algumas receberam obras de drenagem, outras não. Soluções de engenharia existem, segundo ele.
Como exemplo, Taddei Neto lembra a situação do Pirajussara, no extremo da zona oeste, que vivia situação parecida a dos moradores da zona leste. Obras pesadas e caras de engenharia para drenar as águas da chuva foram feitas – até um piscinão foi construído. Isso evitará que um gigante pátio de manobra de trens do Metrô que está sendo construído como parte integrante das obras da Linha 4-Amarela fique debaixo de água em uma eventual chuva.
O Jardim Romano tem até uma linha de trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O Jardim Helena não figura em nenhum projeto de expansão do Metrô.
setembro de 2008, só em recuperação das moradias seria destinado R$ 59,6 milhões.
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